Às vezesplay

Às vezes paro pra falar e grito.
Eu quero atenção.
Sei que sou fraco e não aguento ficar de lado...
Eu temo a solidão.

Às vezes parece tranquilo viver
Um pouco sozinho num abrigo só seu,
Mas não vou mentir ao dizer
que sozinho, eu não posso ser.

Às vezes penso em você e ligo,
Mas desligo.
Porque você me esnoba
E me deixa sempre contando as horas.
Você me tem nas mãos.

Às vezes parece tranquilo viver
Um pouco sozinho num abrigo só seu,
Mas não vou mentir ao dizer
que sozinho, eu não posso ser.

Às vezes quero ser seu inimigo,
Ser contra você.
Mas já estou apaixonado
E estou puxando o seu saco.
Não quero não te ter.

Às vezes parece tranquilo viver
Um pouco sozinho num abrigo só seu,
Mas não vou mentir ao dizer
que sozinho, eu não posso ser.

Essa outraplay

Mas que história é essa?
Pra quê tanta pressa?
Por quê correr de mim?

Eu te amo a beça,
Mas você tem essa...
E essa te tem de mim.

Já tentei mais de um corte,
Um novo perfume, até ser sincera.
Já tentei não tentar, já fingi, já corri, quem dera!
Você notar seu erro com ela.

Mas que história é essa?
Pra quê tanta pressa?
Por quê correr pra mim?

Eu te amei a beça.
Agora se despeça depressa
E fim.

Já tentou um buquê com cartões e um CD
Com músicas belas.
Já tentou implorar, já bebeu, já caiu pelas ruelas.
Então votou. Enfim voltou pra ela.

Quanta notíciaplay

Acordar que preguiça é tanta notícia,
É tia Letícia que foi pro açougue.
É quem sabe que soube e que conta.
Eu não sei. Nem sei se quis saber...

É gente que mata, gente que some
É um filme divino com Marco Nanini
É Lula, é Lama, é Gandhi, é Sandy
Cantando pra mim no final de semana
Eu me sinto uma anta!
Pergunto ao tio Google
Se existe uma âncora para o mar profundo.
Se for, eu mergulho bebendo uma Fanta,
Se for, eu mergulho bebendo uma Fanta.

Maínha, desliga a TV, esse mundo não tá dando...
Se eu fosse você estaria dançando e cantando.
Cantando e dançando.

Acordar que preguiça é tanta notícia,
É tia Letícia que veio do açougue.
É quem sabe que soube e que conta.
Eu não sei. Nem sei se quis saber...

É verdade, é mentira.
É de hoje, é de ontem...
É o suor da cachaça movendo o homem.
É o Samba, é Osama, é Hussein, é Nirvana
No especial por toda semana.
É a bomba, é a onda,
Eu pergunto ao tio google
Se existe um sonda para um outro mundo.
Se for eu me entrego ao canto de Ossanha,
Se for eu me entrego ao canto de Ossanha.

Maínha, desliga a TV, esse mundo não tá dando...
Se eu fosse você estaria dançando e cantando.
Cantando e dançando.

O que me fez cantarplay

O vento me fez cantar.
O vento me levou leve.
O vento me carregou
Pra dentro da sua pele.

Sorriso solto
Pra você se acostumar.
Sorriso solto
Pra você se acostumar.

O vento me assoprou
Palavras que não se esquece.
O vento só fez o som
Pra quem o reconhece.

Ouvido atento,
O vento vem te contar.
Ouvido atento,
O vento vem te contar.

Cascata matinalplay

Na minha rua tem um bar lá, lá pra lá.
E eu passei por lá um instante.
Um instante é tanto tempo! Tanto!
Tanto quanto o pra sempre em segundos.

Não vou esquecer
O que um velho me disse
Entre um trago e um gole.

“Olhe bem pra mim
o fim, sou eu. Também o seu,
será dessa maneira.

Não importa a sua importância,
Ganância, nem a sua infância.
Todo mundo vive igual.

O desespero, o apego, o medo e o desejo,
Para todos são iguais.

Corredor Danadoplay

Corre, corre, corre corredor.
À um quilometro da linha de chegada.
Corre, corre, corre corredor.
Só mais uns passos para a última passada.

Corre, corredor danado,
Anos atrás, cê não tinha nem sapato.
Mal tratado.
Só sabia que fugia ou seria encarcerado.

Corre, corre, corre corredor.
Meio quilometro da linha de chegada.
Corre, corre, corre corredor.
Chegue em primeiro e receba sua medalha.

Corre, corredor danado.
Se tem um Deus, você foi abençoado.
Um sem futuro, um acabado.
Sem família, sem comida, mas corria pra caralho.
“Benza a Deus” pelo sapato achado
e pela força de primeiro colocado.

Corre, corre, corre corredor.
Duzentos metros da linha de chegada.
Corre, corre, corre corredor.
Chegue em primeiro e receba sua bolada.

Corre, corredor danado.
Pagou em moedas pra correr no campeonato.
Desesperado.
Ou ganha ou ganha, ou está tudo acabado.
A fome espera,
Tome cuidado pra não ser ultrapassado.

Corre, corre, corre corredor.
À cem metros da linha de chegada.
Corre, corre, corre corredor.
O segundo está tentando uma ultrapassada.

Corre, corredor danado.
Só mais uns passos e está tudo acabado.
O fim da dor, do campeonato.
De toda vida bem sofrida que você só tem levado

Pro início da harmonia,
Pro início da vitória,
Pra correr outra corrida,
Pra correr nas olimpíadas,
Mas você foi
ultrapassado.

Corre, corre, corre corredor.
Ser segundo ainda vale uns trocados.
Corre, corre, corre corredor.
Corre de novo, não pode ficar parado.

Me deixe cantarplay

Não se preocupe comigo, já sei como só ser amigo,
Mas me deixe cantar as magoas que me fez passar.
Que com sorrisos, dói-me de perder o juízo.
Então me deixe cantar as mágoas que me fez passar.

Deixe de pensar no mal que vais causar.
Me magoe, mas não deixe de amar.

Deixe de amar.

Que sangre a boca roxa do beijo que foi.
E que eu caia de cara no chão.
Dura crueldade sua. Singela.
Me querer e me privar
De poder amar e cantar.

Então me deixe cantar as mágoas que me fez passar.

Deixo sim, como não deixar-te cantar?
Se com seu canto meu canto se espanta.
Ora já o amar, quem sou eu pra julgar?
Cada um tem o seu pra se machucar.

Brindamos o fim do mundoplay

O fim da alegria, do samba, da ginga,
da festa, do Chopp, do bar, da esquina,
do fut. domingo, da mulher com filho,
do beijo de sorte, de um pulo no rio.
Da pedra, do peixe, da água fresquinha.
Do sol nascendo e o de meio dia.

No tiro da bomba do fim do mundo.
No dia da morte de todo o mundo.

O fim da família, da mãe e da tia,
Do primo, da prima, do avô, da sobrinha
Do neto ou bisneto, da avó, de outra tia
Do pai do irmão, do filho da filha,
Do amigo inimigo, do desconhecido,
Da amante sarada com filho no umbigo.

No tiro da bomba do fim do mundo.
No dia da morte de todo o mundo.

O fim da ciência, da filosofia,
Da astronomia, da astrologia,
Da biologia, das ideologias,
Do capitalismo e do comunismo.
Do homem que pensa, do homem que luta.
Do homem que sonha e ir para a lua.

No tiro da bomba do fim do mundo.
No dia da morte de todo o mundo.

O fim da doença, da morte, da crença,
Da guerra do homem, do que sai na prensa
E do presidente e de gente sem dente,
Que morre de fome na frente da gente.
Do tiro atirado do policial,
Das mortes lentas e do hospital.

No tiro da bomba do fim do mundo.
No dia da morte de todo o mundo.

O fim da tortura, o fim da usura,
O fim das mentiras que causam tonturas,
O fim do estupro, mental/corporal,
Da obsessão pelo órgão genital.
De tudo criado da mente que mente,
De tudo que veio da mente da gente.
Brindamos ao estouro do fim do mundo
Cantamos a morte de todo mundo.